Como o tempo é escasso, resolvi passar a destilar o meu veneno em mini-doses individuais.
Afinal, se é bom para os detergentes que (quase) tudo limpam, também é capaz de ser bom para mim...
Maddie
Pobre criança, que já lhe devem ter gasto o nome, quer em Portugal quer no Reino Unido e pelas piores razões possíveis.
Costuma dizer-se que não podemos escolher a família. Ela coitada, descobriu isso da pior forma possível.
Vou já avisar que acredito na culpa dos pais. Por isso, quem não quiser ler a partir daqui, está à vontade. Daqui em diante só piora.
Há várias coisas que me irritam solenemente neste caso:
1) A parolice portuguesa habitual, que deu uma atenção desmesurada porque se tratava de estrangeiros; em contrapartida, todos os casos de crianças portuguesas desaparecidas / mortas no nosso país juntos, não tiveram metade da atenção, consideração e envolvimento;
2) Com este tipo de aitutde servil de quem muito se curva, fomos tratados abaixo de cão por uma cambada de bêbados e arruaceiros armados em empertigados (eu sei que estou a generalizar), que são as últimas criaturas com autoridade moral para dar bitates sobre investigação criminal e crianças desaparecidas. Logo eles, recordistas de casos por resolver!
3) Vamos lá a ver se nos entendemos: os McCann e outros amigalhaços puseram-se a fazer aquilo que estes beberrões ingleses e alemães fazem tradicionalemente quando estão no Algarve:
comeram à grande, beberam ainda melhor e espetaram com os putos cedo na cama! E sem requisitarem sequer uma ama que poderia ter sido fornecida pelos serviços do hotel!!!
4) Que raio de gente é esta, que a primeira preocupação que tem num caso destes é arranjar consultores de imagem e advogados?!
5) Já alguém reparou nos largos milhares de euros que eles têm arrecadado a vendar este drama familiar?
6) Já repararam que, a partir do momento que accionaram os seus contactos, nomeadamente junto de elementos do governo britânico, todo o processo começou a esmorecer?...
7) E a pressa de regressar a Inglaterra?...
8) E toda esta pressa no arquivamento do processo, quando é sabido que muitas investigações desta natureza levam anos de trabalho?...
Só de pensar nesta gentinha cruel e negligente, sinto vómitos...
Paz à Maddie, onde quer que esteja. Estou certo que ela terá a capacidade de perdoar a quem lhe fez tanto mal...
J.
terça-feira, 22 de julho de 2008
sexta-feira, 18 de julho de 2008
Estão a acontecer tantas coisas giras...
... que resolvi ir postando alguns comentários, intercalando os mesmos com as nódoas...
Afinal, há mais vida para lá da lixivia...
Ameaço regressar a qualquer instante!
J.
Afinal, há mais vida para lá da lixivia...
Ameaço regressar a qualquer instante!
J.
segunda-feira, 14 de julho de 2008
Nódoa nº 3 - Carlos Cruz (conclusão)

(... Nesta estávamos a jogar à "apanhada" na praia de Carcavelos...)
Como (infelizmente) há muita informação, vou cingir-me a uma ou duas coisas sobre este senhor (não existe letra mais minúscula que a minúscula, pois não?) e a sua ascensão e queda.
Se não tivesse mais nada que fazer, agora entrava na questão "inocente ou culpado" mas, para quê perder tempo com isso? Se olharmos bem para o seu percurso, facilmente se percebe que se não for culpado disto, de outra coisa qualquer há-de ser... (eu sei que isto foi estúpido de se dizer. Mas às vezes apetece-me.).
Vejamos então: tudo corria bem ao sr. Cruz na década de 80: uma figura conhecida por grande parte dos portugueses com televisor em casa, graças ao "1, 2, 3!" (as coisas que um concurso não faz por nós...), vidinha organizada, um casamento (que começou a evidenciar algumas fragilidades) não obstante o casal ter uma filha (como se isso contasse para alguma coisa!) e algumas fotos aqui e ali.
Entretanto, porque não dar o salto seguinte? O "Sr. Televisão" juntou umas massas e criou a "CCA - Carlos Cruz Audiovisuais" e pendurou-se - onde é que havia de ser? - na RTP, com uns quantos contratos de produção, que lhe renderam umas boas coroas. E os meses tornaram-se anos.
E começaram a surgir os primeiros sinais de mudanças : primeiro, o divórcio e a troca por um modelo mais recente - um upgrade pessoal e familiar, chamemos-lhe assim.
Em seguida, o escândalo Pedro Caldeira (cf. Nódoa nº 1), que terá deixado o sr. apresentador em maus lençóis ou pelo menos a balançar. Ele mais a empresa dele e mais os seus luxos públicos e privados (tanto quanto é dado perceber.).
Na sequência da perda de uma avultada quantia de dinheiro e não obstante o processo em tribunal, o que é facto é que a ganância do sr. Cruz veio colocar a CCAudiovisuais numa situação menos saudável...
E como não há duas sem três: eis que chega o escândalo Casa Pia.
Sejamos honestos: um tipo maduro, "passarão", que já viu e fez muita coisa, que se casa com uma fulana "modelo-gaja" com idade para ser irmã da filha dele... convenhamos: não há aqui algo indiciador de propensão para a pedofilia?...
Mas adiante.
As coisas não podiam começar da melhor maneira possível para o sr. Cruz: desde a filha, perdão, a esposa, a chegar às instalações da Polícia Judiciária num jipe BMW, como quem ía a caminho de uma festa (o povo detesta estas manifestações de exuberância, fundamentalmente por inveja) até às declarações do seu amigo e guarda-costas (?), afirmando peremptoriamente que "Se ele (Carlos Cruz) é (pedófilo), então eu também sou! Sou eu, é você... somos todos!".
Devem ter sido so 15 segundos de fama mais prejudiciais alguma vez produzidos pela comunicação social portuguesa.
E o processo? Esse lá está, está bonzito, obrigado... Fazendo a sua marcha triunfal, no rigoroso cumprimento do garantismo legal que a nossa lei consagra. Correndo o risco de caír de podre...
Quanto ao sr. Cruz, depois de muitas manobras (nas quais é especialista), passou de vilão e tarado para "coitadinho" e "injustiçado". Para isso é que servem os contactos no meio da comunicação social e das revistas da treta.
Umas quantas capas, umas entrevistas chorosas da esposa (que entretanto começou a aparecer menos deslumbrante nas visitas ao maridinho... e aí está a mesma corja que já se preparava para o espetar na cruz (foi sem querer, este trocadilho) e pegar-lhe fogo, que aparece agora (na altura) a dizer coisas como: "Então o homem é casado e tem filhas e tudo... alguma vez fazia uma coisa daquelas? " ou "Coitado... tão boa pessoa, um homem tão bem apessoado... isto é uma injustiça!..."
Sic est vulgus! (Assim é a populaça!)
Conclusão:
Por este andar, a culpa da existência de crimes é da Polícia!
Mais um triste espectáculo protagonizado por um pseudo-socialite-da tanga - como o são de resto praticamente todos os que se assim auto-denominam. Mas desta vez, com consequências bastante graves.
Fica demonstrado, mais uma vez, o poder da (des)informação desvirtuada pela comunicação social, a qual se vai ajustando às conveniências e compadrios, criando uma realidade e uma verdade só sua, que não admite contraditório nem tão pouco aceita, sem tecer ameaças, a denúncia da sua falta de transparência e de rigor.
Quando Alvin Töffler escreveu os "Novos Poderes" nos idos de 90, nunca pensei que a realidade que se avizinhava fosse tão perturbadora, no que diz respeito ao nosso direito de livre acesso a uma informação livre.
Se ele calha a conhecer a perversidade do sr. Cruz e a sua habilidade para manobrar e ensinar outros a manobrar em seu proveito, passando de demónio a mártir, teria escrito mais um ou dois parágrafos no seu livro...
Sempre disse que, independentemente do desfecho, este processo iria produzir forçosamente uma vítima.
E essa vítima somos nós, os Portugueses. Porque se vencer a Justiça e o sr. Cruz for condenado, perde a sociedade portuguesa, que nunca havia obtido notoriedade neste tipo de lixo; se o sr. Cruz não for condenado, perde o edifício da Justiça e perde a Investigação Criminal e nunca mais nada será feito como deve ser: de forma decidida, sem receio de factores externos e sempre a bem da Verdade.
Enfim... deixa-me lá ir buscar o ácido muriático, que esta nódoa vai ser difícil de tirar...
Bom Fim de Semana,
J.
terça-feira, 8 de julho de 2008
Nódoa nº 2 - conclusão
Tempus fugit!
Tem estado difícil vir aqui despejar más vibrações porque o tempo (ou a falta dele) tem sido implacável.
Por isso, nada como arrumar com alguma rapidez e facilidade mais uma criatura ilustre do século passado (ainda me custa a pensar na mudança de século... deve ser por estar quase tudo na mesma).
A nódoa de hoje, ao tempo que já passou, parece mais uma daquelas manchas que ficam na toalha branca que se costuma pôr na mesa para receber visitas lá em casa (bolas, mas que exemplo mais pequeno-burguês!) e que, apesar de quase ninguém já reparar, nós sabemos que está lá e onde está.
(Regra geral, tento tapar com um prato ou um talher, cirurgicamente colocado na zona afectada).
Bom, falemos da senhora D. Branca e dos fantásticos anos 80: uma década digna de um filme de Quentin Tarantino, senão vejamos: muito dinheiro a passar de mãos, actos terroristas (FP's 25), o apogeu de algumas gajas provocadoras (as Doce), os devaneios sexuais de um arquitecto registados em vhs de fraca qualidade (Arqtº Quebra-Bilhas, perdão, Tomás Taveira), and so on, and so forth...
Bom, em relação a esta modesta senhora, há que culpar o Estado por lhe ter dado o triste destino da cadeia, não obstante uma burla que se estima de 17 Milhões de contos ao Estado Português. E digo isto com apenas uma ligeira ponta de provocação.
Vejamos: a senhora lançou-se num mercado muito restrito, explicando que conseguia fazer o dinheiro das pessoas crescer mais do que nos bancos, sem recorrer a campanhas publicitárias e com poucas letrinhas miúdas. É claro que, principalmente os cidadãos que tinham um pézito de meia e não achavam grande piada às taxas de juro dos bancos, viram aqui uma forma de fazer crescer as poupanças mais depressita... que mal há nisso?!
É claro que, a D. Branca, tal como o sr. Pedro Caldeira, esqueceram-se de explicar como faziam este milagre... mas ainda assim, quem é que hoje se pode gabar de saber com detalhe o que o(s) seu(s) banco(s) lhe anda(m) a fazer?
A diferença é que a D. Branca não usava a letra miudinha a correr no rodapé do ecrã de televisão (talvez por usar óculos)...
E que dizer do filho de um grande senhor da banca provada portuguesa, estou a falar do Mi...enium / B...P, que terá alegadamente desviado largos milhares de euros da instituição do papá?
Exemplos da verdadeira vergonha que é o sistema bancário nacional - que é o que a mim me interessa - são aos pontapés, por isso, consigo encarar com bastante fair-play o que a D. Branca fez: arrecadar dinheiro à conta de gananciosos-com-a-mania-que-são-mais-espertos-que-os-outros!
Por último, não esquecer este detalhe, que nos coloca na vanguarda da informação-espectáculo à escala planetária, num registo quase hollywoodesco:
A D. Branca até teve direito a uma telenovela no canal público do Estado!!!
Roam-se de inveja, Srs. Gonçaves, Srs. Santos Silva e quejandos!
Com a ameaça permanente de regressar, o vosso
J.
Por isso, nada como arrumar com alguma rapidez e facilidade mais uma criatura ilustre do século passado (ainda me custa a pensar na mudança de século... deve ser por estar quase tudo na mesma).
A nódoa de hoje, ao tempo que já passou, parece mais uma daquelas manchas que ficam na toalha branca que se costuma pôr na mesa para receber visitas lá em casa (bolas, mas que exemplo mais pequeno-burguês!) e que, apesar de quase ninguém já reparar, nós sabemos que está lá e onde está.
(Regra geral, tento tapar com um prato ou um talher, cirurgicamente colocado na zona afectada).
Bom, falemos da senhora D. Branca e dos fantásticos anos 80: uma década digna de um filme de Quentin Tarantino, senão vejamos: muito dinheiro a passar de mãos, actos terroristas (FP's 25), o apogeu de algumas gajas provocadoras (as Doce), os devaneios sexuais de um arquitecto registados em vhs de fraca qualidade (Arqtº Quebra-Bilhas, perdão, Tomás Taveira), and so on, and so forth...
Bom, em relação a esta modesta senhora, há que culpar o Estado por lhe ter dado o triste destino da cadeia, não obstante uma burla que se estima de 17 Milhões de contos ao Estado Português. E digo isto com apenas uma ligeira ponta de provocação.
Vejamos: a senhora lançou-se num mercado muito restrito, explicando que conseguia fazer o dinheiro das pessoas crescer mais do que nos bancos, sem recorrer a campanhas publicitárias e com poucas letrinhas miúdas. É claro que, principalmente os cidadãos que tinham um pézito de meia e não achavam grande piada às taxas de juro dos bancos, viram aqui uma forma de fazer crescer as poupanças mais depressita... que mal há nisso?!
É claro que, a D. Branca, tal como o sr. Pedro Caldeira, esqueceram-se de explicar como faziam este milagre... mas ainda assim, quem é que hoje se pode gabar de saber com detalhe o que o(s) seu(s) banco(s) lhe anda(m) a fazer?
A diferença é que a D. Branca não usava a letra miudinha a correr no rodapé do ecrã de televisão (talvez por usar óculos)...
E que dizer do filho de um grande senhor da banca provada portuguesa, estou a falar do Mi...enium / B...P, que terá alegadamente desviado largos milhares de euros da instituição do papá?
Exemplos da verdadeira vergonha que é o sistema bancário nacional - que é o que a mim me interessa - são aos pontapés, por isso, consigo encarar com bastante fair-play o que a D. Branca fez: arrecadar dinheiro à conta de gananciosos-com-a-mania-que-são-mais-espertos-que-os-outros!
Por último, não esquecer este detalhe, que nos coloca na vanguarda da informação-espectáculo à escala planetária, num registo quase hollywoodesco:
A D. Branca até teve direito a uma telenovela no canal público do Estado!!!
Roam-se de inveja, Srs. Gonçaves, Srs. Santos Silva e quejandos!
Com a ameaça permanente de regressar, o vosso
J.
terça-feira, 1 de julho de 2008
Nódoa nº 1
É um dos meus favoritos: Pedro Caldeira.
Este é o exemplo acabado de que há filhos da puta em todos os estratos da nossa sociedade e que, regra geral, nunca estão sós.
Também me parece um exemplo acabado de uma certa justiça poética que acaba por punir, não só o próprio mas também os que se armaram em espertos e que queriam ganhar dinheiro fácil.
Recordemo-nos um pouco desta história: década de 90, um corrector de bolsa bem sucedido e homem do meio do nosso pseudo-jet-set ou jet-set de trazer por casa, que já tinha com que dar de comer aos filhos e família... resolve tornar-se ganancioso.
E resolve aproveitar-se dos contactos que já possuía - que no meio social em que se movimentava, quer no meio dos seus negócios e junto do seu próprio portfolio de clientes - para lançar um esquema que tinha tanto de milionário como de arriscado: trabalhar com margens de lucro acima das praticadas pelos bancos nas suas aplicações financeiras.
Na prática, a senhora ou o cavalheiro depositavam nas suas mãos quantias significativas de dinheiro que eram entretanto aplicadas pelo senhor corrector, com retornos de lucro bastante razoáveis ao fim de um relativo curto período de tempo.
Uma espécie de esquema da pirâmide, punido por lei, fortemente lucrativo, mas mais sofisticado.
O que o senhor corrector tinha que ir garantindo era uma forte circulação de dinheiro por parte dos seus clientes, de modo a apresentar dividendos no espaço de algumas semanas ou poucos meses, mantendo-os interessados em continuar a investir aquele dinheiro (ou ainda mais) nos seus préstimos. Com o dinheiro de uns ía pagando dividendos a outros e arrecadando a sua margem.
Hoje, quando penso nisto, penso que a grande culpa do sr. Pedro Caldeira residiu em algo tão simples como uma falha de comunicação: então não é que ele se esqueceu de dizer aos seus clientes, entre outras coisas, que:
- Se toda a gente exigisse o seu dinheiro de volta em simultâneo, ele não poderia pagar dividendos a ninguém, já que se limitava a puxar a manta de um lado, descobrindo os pés ou a cabeça consoante os casos;
- A ideia final era, quando atingisse uma quantia avultada do dinheiro que lhe era confiado, provavelmente iria esquecer-se de continuar a pagar dividendos e iria partir para parte incerta.
Pois é... como dizia o outro: "Não explicam..."
Claro que chegou uma altura em que este namoro terminou e o senhor corrector foi apanhado.
Entre as suas vítimas - e aqui é que a doutrina se divide - contam-se várias aves raras do pesudo-jet-set e um cidadão (nessa altura) acima de qualquer suspeita, chamado Carlos Cruz.
Recordam-se dele: apresentava uns programas na televisão, onde apareciam adultos a escolher coisas, mas isso foi antes de se dedicar ao público infantil... fica para outra ocasião.
Estima-se que o sr. Cruz tenha ficado a arder com uma quantia que oscilará provavelmente entre os 10 000 e os 30 000 contos (entre 50 000 e 150 000 euros).
Quem diria que ao fim de apenas alguns anos, o sr. Caldeira e o sr. Cruz poderiam partilhar uma mesma espécie de desfecho, ainda que um relacionado com factos mais tenebrosos que o outro?
Pessoalmente, fiquei muito contente com a forma como tudo se passou.
A investigação funcionou; a justiça funcionou; houve arguido; o arguido transformou-se em réu; o réu foi condenado; e cumpriu pena.
E os tipos que quiseram fazer fortuna fácil foram enrabados a seco, sem beijo na boca, ficaram a arder com uma pipa de massa e foram motivo de chacota de muita e boa gente!
Ai estás a arder?... Halibut para ajudar a passar a assadura do rabinho...
Está na hora de aplicar o tira-nódoas.
Fiquem bem,
J.
Este é o exemplo acabado de que há filhos da puta em todos os estratos da nossa sociedade e que, regra geral, nunca estão sós.
Também me parece um exemplo acabado de uma certa justiça poética que acaba por punir, não só o próprio mas também os que se armaram em espertos e que queriam ganhar dinheiro fácil.
Recordemo-nos um pouco desta história: década de 90, um corrector de bolsa bem sucedido e homem do meio do nosso pseudo-jet-set ou jet-set de trazer por casa, que já tinha com que dar de comer aos filhos e família... resolve tornar-se ganancioso.
E resolve aproveitar-se dos contactos que já possuía - que no meio social em que se movimentava, quer no meio dos seus negócios e junto do seu próprio portfolio de clientes - para lançar um esquema que tinha tanto de milionário como de arriscado: trabalhar com margens de lucro acima das praticadas pelos bancos nas suas aplicações financeiras.
Na prática, a senhora ou o cavalheiro depositavam nas suas mãos quantias significativas de dinheiro que eram entretanto aplicadas pelo senhor corrector, com retornos de lucro bastante razoáveis ao fim de um relativo curto período de tempo.
Uma espécie de esquema da pirâmide, punido por lei, fortemente lucrativo, mas mais sofisticado.
O que o senhor corrector tinha que ir garantindo era uma forte circulação de dinheiro por parte dos seus clientes, de modo a apresentar dividendos no espaço de algumas semanas ou poucos meses, mantendo-os interessados em continuar a investir aquele dinheiro (ou ainda mais) nos seus préstimos. Com o dinheiro de uns ía pagando dividendos a outros e arrecadando a sua margem.
Hoje, quando penso nisto, penso que a grande culpa do sr. Pedro Caldeira residiu em algo tão simples como uma falha de comunicação: então não é que ele se esqueceu de dizer aos seus clientes, entre outras coisas, que:
- Se toda a gente exigisse o seu dinheiro de volta em simultâneo, ele não poderia pagar dividendos a ninguém, já que se limitava a puxar a manta de um lado, descobrindo os pés ou a cabeça consoante os casos;
- A ideia final era, quando atingisse uma quantia avultada do dinheiro que lhe era confiado, provavelmente iria esquecer-se de continuar a pagar dividendos e iria partir para parte incerta.
Pois é... como dizia o outro: "Não explicam..."
Claro que chegou uma altura em que este namoro terminou e o senhor corrector foi apanhado.
Entre as suas vítimas - e aqui é que a doutrina se divide - contam-se várias aves raras do pesudo-jet-set e um cidadão (nessa altura) acima de qualquer suspeita, chamado Carlos Cruz.
Recordam-se dele: apresentava uns programas na televisão, onde apareciam adultos a escolher coisas, mas isso foi antes de se dedicar ao público infantil... fica para outra ocasião.
Estima-se que o sr. Cruz tenha ficado a arder com uma quantia que oscilará provavelmente entre os 10 000 e os 30 000 contos (entre 50 000 e 150 000 euros).
Quem diria que ao fim de apenas alguns anos, o sr. Caldeira e o sr. Cruz poderiam partilhar uma mesma espécie de desfecho, ainda que um relacionado com factos mais tenebrosos que o outro?
Pessoalmente, fiquei muito contente com a forma como tudo se passou.
A investigação funcionou; a justiça funcionou; houve arguido; o arguido transformou-se em réu; o réu foi condenado; e cumpriu pena.
E os tipos que quiseram fazer fortuna fácil foram enrabados a seco, sem beijo na boca, ficaram a arder com uma pipa de massa e foram motivo de chacota de muita e boa gente!
Ai estás a arder?... Halibut para ajudar a passar a assadura do rabinho...
Está na hora de aplicar o tira-nódoas.
Fiquem bem,
J.
segunda-feira, 30 de junho de 2008
Grandes Nódoas do Séc. XX
Agora que já não é necessário continuar a tomar antipiréticos porque a febre do Europeu 2008 já passou, resolvi começar um post-in-progress, dedicado a todo um conjunto de Portugueses que marcaram (e de que maneira!), o nosso séc. XX.
Se quiserem colaborar, lembrando alguns nomes que me possam escapar, agradeço desde já.
A minha ideia é chegar aos 50 nomes, sendo certo que muitos mais há por aí.
Neste post, vou apenas indicar alguns nomes, para posteriormente merecerem uma melhor atenção.
Ora vamos lá, os primeiros treze (para dar sorte!):
- Carlos Cruz (televisão);
- Jorge Nuno Pinto da Costa (desporto);
- Carlos Borrego (governo);
- Vale e Azevedo (desporto);
- Maya (astrologia);
- José Eduardo Moniz (televisão);
- Pedro Caldeira (corretagem);
- D. Branca (banca!);
- Teresa Guilherme (televisão);
- Manuel Sérgio (política);
- D. Manuel Martins (igreja);
- Emplastro (sociedade);
- José Castelo Branco (sociedade);
Se quiserem colaborar, lembrando alguns nomes que me possam escapar, agradeço desde já.
A minha ideia é chegar aos 50 nomes, sendo certo que muitos mais há por aí.
Neste post, vou apenas indicar alguns nomes, para posteriormente merecerem uma melhor atenção.
Ora vamos lá, os primeiros treze (para dar sorte!):
- Carlos Cruz (televisão);
- Jorge Nuno Pinto da Costa (desporto);
- Carlos Borrego (governo);
- Vale e Azevedo (desporto);
- Maya (astrologia);
- José Eduardo Moniz (televisão);
- Pedro Caldeira (corretagem);
- D. Branca (banca!);
- Teresa Guilherme (televisão);
- Manuel Sérgio (política);
- D. Manuel Martins (igreja);
- Emplastro (sociedade);
- José Castelo Branco (sociedade);
quarta-feira, 25 de junho de 2008
A Suiça não nos ganhou só por dois zero...

Aliás, por este andar, em breve vamos começar a perder com a Turquia e, mais tarde, com a Roménia.
Mas que falta de maneiras! Boa tarde, antes de mais nada.
Situação 1: Vinha hoje de manhã, pela Estrada Nacional (o que é nacional é bom), quase a chegar a Setúbal, quando, junto às bombas da BP, fico quase dez minutos parado, à espera que a retro-escavadora faça mais uma pausa no sulco que está a abrir na estrada, para todos nós também podermos ir trabalhar. Eram 8h40 da manhã.
Situação 2: Estava a colocar-me na fila para a pesagem de frutas e legumes no Jumbo de Almada, quando, no exacto instante em que me coloco no meu lugar, uma mulher (senhora seria dizer muito) sorrateira e descaradamente se põe na diagonal da fila, para me passar à frente. Assim, sem espinhas!
Situação 3: Uma criança foi atropelada mortalmente, na passada 6ª feira, à noite, próximo do cruzamento de semáforos de Vendas de Azeitão. Registe-se o facto de a criança ter sido atropelada a escassos 20 metros de distância do referido cruzamento. Ao menos, o assassino imobilizou-se até as autoridades chegarem. Mas é um "ao menos" amargo...
(Tomara já criar um blog para falar sobre sexo...).
Que gente é esta?!
Na Suiça (já perceberam a ideia, não é?...), sempre que há uma intervenção que obrigue a obras públicas que causem natural transtorno aos cidadãos, é realizada uma reunião e contactos prévios com diversos organismos que possam estar potencialmente interessados em participar no processo, dada a oportunidade.
Isto é: Se vamos abrir um buraco para fazer mudança de condutas de gás, talvez a empresa fornecedora de electricidade queira aproveitar para mudar a sua cablagem e outro tanto a empresa fornecedora de água, as telecomunicações, etc. Se uma determinada empresa diz que não precisa de participar na intervenção e mais tarde vai para lá fazer obras é penalizada significativamente pelo Estado!
Os trabalhos são céleres (para causar o mínimo de incómodo ao cidadão-contribuinte) e de um modo geral, respeitam o caderno de encargos e o prazo previamente definido... e em muitos casos são executados por Portugueses!!!
Na Holanda (que poderíamos ter encontrado na final do Europeu), se um automobilista inadvertidamente provoca um choque com um ciclista ou este último atropela um transeunte, entre um pedido de desculpas e até um eventual gracejo pelo disparate da situação, o problema fica resolvido e cada um segue o seu caminho (tal e qual como cá...).
(Não é sempre assim, como é evidente. Mas ainda assim, dá que pensar.).
Um investigador Finlandês, especialista em prevenção rodoviária, disse, há uns anos atrás, num Seminário no nosso país, que os portugueses conduziam "... como ladrões de automóveis."
Mas o que é que ele percebe disso? Vem lá de um país que nem sequer se apurou para o Euro 2008...
Quando é que nos decidimos a mudar? Os Suiços não são melhores que nós. Aliás, não há nenhuma razão evidente para seja quem for, ser melhor que nós!
Nós somos uma das nações mais antigas do Mundo; devíamos ser nós a servir de exemplo, de vanguarda, para os outros nos seguirem. Ao invés disso, entre Fátima, Futebol e Fado e entre Insulto, Ignorância e Intransigência, vamos culpando todos os outros pelo nosso fracasso sistemático e galopante como nação portuguesa e europeia.
É a vida, como dizia o outro...
A culpa é do Governo - um qualquer! Deste do próximo e dos outros todos!
Antes da culpa ser do Governo, era da Ditadura. E antes disso, era da Monarquia.
E no limite, se o outro não tivesse dado um estalo à mãe, não tínhamos passado por isto...
E que tal envergarmos a bandeira de Portugal todos os dias?
Eu sou Português todos os dias e sinto-me português sempre que:
- Sou inteligente na abordagem a uma situação ou na resolução de um problema;
- Uso de urbanidade na relação com o meu interlocutor;
- Sou bom naquilo que faço;
- Sou honesto e trabalhador;
- Sou bem-disposto e brincalhão;
- Etc.;
- Etc.;
E no final da lista, lá bem no finzinho, talvez apareça algo relacionado com futebol e golos e qualificações...
Uma última nota (que estou quase a terminar a hora de almoço): A Selecção alemã descansou menos cinco dias que a nossa, teve paciência, calma, habilidade e muita capacidade de sacrifício... durante 93 minutos! Nós jogámos futebol a sério durante cerca de 55 minutos...
E quem nos dera que esta clivagem só se verificasse no futebol...
Fiquem bem,
J.
Os trabalhos são céleres (para causar o mínimo de incómodo ao cidadão-contribuinte) e de um modo geral, respeitam o caderno de encargos e o prazo previamente definido... e em muitos casos são executados por Portugueses!!!
Na Holanda (que poderíamos ter encontrado na final do Europeu), se um automobilista inadvertidamente provoca um choque com um ciclista ou este último atropela um transeunte, entre um pedido de desculpas e até um eventual gracejo pelo disparate da situação, o problema fica resolvido e cada um segue o seu caminho (tal e qual como cá...).
(Não é sempre assim, como é evidente. Mas ainda assim, dá que pensar.).
Um investigador Finlandês, especialista em prevenção rodoviária, disse, há uns anos atrás, num Seminário no nosso país, que os portugueses conduziam "... como ladrões de automóveis."
Mas o que é que ele percebe disso? Vem lá de um país que nem sequer se apurou para o Euro 2008...
Quando é que nos decidimos a mudar? Os Suiços não são melhores que nós. Aliás, não há nenhuma razão evidente para seja quem for, ser melhor que nós!
Nós somos uma das nações mais antigas do Mundo; devíamos ser nós a servir de exemplo, de vanguarda, para os outros nos seguirem. Ao invés disso, entre Fátima, Futebol e Fado e entre Insulto, Ignorância e Intransigência, vamos culpando todos os outros pelo nosso fracasso sistemático e galopante como nação portuguesa e europeia.
É a vida, como dizia o outro...
A culpa é do Governo - um qualquer! Deste do próximo e dos outros todos!
Antes da culpa ser do Governo, era da Ditadura. E antes disso, era da Monarquia.
E no limite, se o outro não tivesse dado um estalo à mãe, não tínhamos passado por isto...
E que tal envergarmos a bandeira de Portugal todos os dias?
Eu sou Português todos os dias e sinto-me português sempre que:
- Sou inteligente na abordagem a uma situação ou na resolução de um problema;
- Uso de urbanidade na relação com o meu interlocutor;
- Sou bom naquilo que faço;
- Sou honesto e trabalhador;
- Sou bem-disposto e brincalhão;
- Etc.;
- Etc.;
E no final da lista, lá bem no finzinho, talvez apareça algo relacionado com futebol e golos e qualificações...
Uma última nota (que estou quase a terminar a hora de almoço): A Selecção alemã descansou menos cinco dias que a nossa, teve paciência, calma, habilidade e muita capacidade de sacrifício... durante 93 minutos! Nós jogámos futebol a sério durante cerca de 55 minutos...
E quem nos dera que esta clivagem só se verificasse no futebol...
Fiquem bem,
J.
Assinar:
Postagens (Atom)